segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

SE MERECER




Me faz ser tranquilo e bom.
Ou antes, que eu tenha a paz
que Você traz.
Me faz ser o cais onde
bata a infinitude das Tuas
primeiras ondas.
Ouça, não quero nada alem
da Tua figura que fica na pupila
e que após fechar os olhos
caminha mansa ao meu coração
onde Teu sopro ecoa sem cessar.
Me de a sorte de ter sempre
uma das Tuas aves
com os olhos postos em mim
para me lembrar de que
nunca Te poderei conter inteiro
mas que nunca deixarás
de correr nas minhas veias.
Amém. – (Dário B.).








terça-feira, 10 de janeiro de 2012

ABRASÃO.








É preciso sim se expor ao tempo
Bater todas as portas ao sair

É preciso caminhar no dilúvio
Examinar as suas imagens
Como numa catedral
E ser também um santo.

É preciso aproveitar a luz do raio
E como um animal com fome
Procurar os ninhos atrás dos lírios
E com os restos do banquete
Fecundar a lama onde os pés afundam.

É preciso seguir o fragor do trovão
Adentrar ao templo onde é criado
Estudar um a um os seus tambores
Ler cada partitura dessa sinfonia
E avançar ao fim do mundo.

É preciso penetrar a escuridão
Como um ladrão dissimulado
Sorver da sua maciez a quimera
E furtar-lhe a utopia da criação. – (Dário B.)





ENTÃO...




Se até Deus
Precisou de barro
Para brincar de conceber
Como entender
Os mistérios da Mulher? - (Dário B.).









segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

ESCOLHA






No inverno te proteger
No verão sair pra pescar
No outono te conhecer
Primavera poder gostar
No estio me derreter
Pra na chuva dançar e andar junto.
(Beto Guedes.).
 
 





Você me apontou
Pra escrever
A canção da nova aliança
Onde o querer
Seja mais que esperança


A canção da nova era
Onde a entrega
Seja mais que sincera


A canção do novo destino
Onde o sentir
Seja apenas menino


A canção do novo tempo
Onde o corpo
Seja mais que garimpo


A canção do novo mundo
Onde o arrepio
Seja inda mais profundo


A canção de um novo enredo
Onde o amor
Seja mais que sagrado


A canção de um novo afeto
Onde o que basta
É seguir junto. – (Dário B.).




segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

FICA A DICA²




Este vale a pena uma visita: http://tucazamagna.blogspot.com/ Criatividade e ecletismo estão sobrando por lá, em alguns momentos parece que estou n'O Pasquim, de saudosa memória. 


terça-feira, 8 de novembro de 2011

FICA A DICA





A maioria já de deve, é claro, conhecer. Mas só pra ter o sentimento da missão cumprida vou deixar aqui a dica do blog Maria Clara. Tenho certeza quem não conhece vai gostar, e as doze Marias já tem inclusive um livro publicado, que é lógico faço questão de ter. Abraços.

domingo, 23 de outubro de 2011

CONVICÇÃO



Ela há de vir, envolta na sua finíssima palidez, e presente será ainda mais etérea do que o onirismo agora traz. De tão bela alvura, não a das flores nem a das nuvens, e sim aquela que faz inveja aos anjos. Não assusta por ser desconhecida, é antes uma nova fome com que me devoro, já saciado que estou de tempo. Virá branda e calma, nova mãe a me acalentar, a repor no lugar os delírios que pendem fora da alma, a aliviar o peso grande demais deste coração que carrego. Num relance colocará a minha frente a parca epopeia dos meus anos, soprará deles o cinza, e sorrindo dirá, mostrando as cores reaparecidas: nem custaram tanto a passar, não é? E eu convencido, me darei um meio sorriso como presente de despedida, já que sorrisos plenos não os tive durante a vida, e seguiremos juntos por alguns momentos, discutindo quem sabe, o lirismo que desperdicei. Depois, ela imponente e serena seguirá com seu sorriso tranquilo. E eu... – (Dário B.)






quinta-feira, 11 de agosto de 2011

DESPERTA




Acorda Poeta
Parasita da alma
Que a vida é um só momento
A vida é só tormento
É recolher os cacos da mãe
Que escaparam ao câncer
É vestir o corpo do pai
Que já não era o teu.

Acorda Poeta
Proxeneta da palavra
Que a vida é muco, bílis e escarro
Apoplexia, aborto e convulsão
Carquilha, petéquia, ulceração
Prurido no membro amputado
Célula vencida
Podridão.

Acorda Poeta de merda
Que na vida a tua ausência
Preenche uma lacuna
Estorvo, nada és, nada serás
Crês mesmo, que alguma falta farás?

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

O QUE?








E o que é que se busca afinal? A mulher companheira, amiga, amante, sem igual. O olhar do cão, muito mais que irmão, jamais animal. Café fresco, a cinza fresca, caída em cima do jornal. Um perfume boiando na casa, tornando a manhã ideal. A goiabeira, o pé de pitanga no fundo do quintal. Sol quente no rosto, cheiro da roupa quarando no varal. Um assobio que resuma todo saber musical. Olhar as folhas dançando conduzidas pelo mistral. No corpo a preguiça, moleza de feriado nacional. O Sol partindo, adeus irisado, fenomenal.  A noite, o escuro, o sossego afinal. Na prece um pedido, a busca de um carinho divinal. Um pouco de choro, o silencio, a alma imortal? Só quatro bons amigos, pra carregar o esquife depois da hora fatal. – (Dário B.).



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