Os poemas, já estavam prontos? Escritos por quem? Talvez sejam uma goteira do céu apenas, no quarto vazio que conta a partida, chuva da rua cinza e casas baixas, ao vento papéis velhos, tremulas arvores, sons de passos medrosos que ando em busca de outra rua, mais clara, de claros olhos sem pudor onde a treva cesse. Uma boca de murmúrios, rosto pálido, mágicas mãos, frias agora, onde busco a ausência do sofrimento, um vago beijo de carinho. É a mesma, sempre nova, calada, crendo em mim. Caminho até um depois de amanhã que nunca chega. No quarto, a goteira... - (Dário B.).