segunda-feira, 17 de maio de 2010

DÁDIVA

Me destes um mistério.

Gérmen desatinado que me povoa

semeado em infértil sulco

perpetuação de sentidos ancestrais

fonte de saciar infinita sede.

Dei-te um mistério.

Duvida prenhe de incertezas

viagem sem retorno

na busca do intraduzível

extensão plena de mim. – (Dário B.).


terça-feira, 11 de maio de 2010

DESPERTAR

Breve momento em que a alma desperta

meu peito nu sobre teu peito

o eco de todos os gritos num só suspiro

e riso e choro não contidos

se fazem moldura

deste instante antes não vivido.

Eu estava imóvel e tu vieste

me carregando como o vento leva as folhas

numa curiosa tormenta de suavidades

dança nua do amanhecer.

Beijo de leve tua face adormecida,

tomo entre as minhas tuas mãos.

E nessa tão inocente entrega

abrem-se as asas contidas

num gesto livre e sereno.

Sobrevôo do desejo...

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

APRENDIZ.


Por ora furto a força das palavras. Depois, quiçá, seqüestrar um coração. – (Dário B.).


sábado, 12 de dezembro de 2009

MOVIMENTO.

Celacanto provoca maremoto.


Vendavales, Levanter, Scirocco, Leveche,

Libeccio, Tramontana, Bora, Marin,

Alísio, Brisa, Minuano, Noroeste,

Vardarac, Grecale, Meltemi, Khamsin,

Bóreas, Eureus, Notus e Zephyrus,

Ciclone, Furacão, Tornado, Tufão,

No estreito espaço do meu peito.

Mas muda o rumo de qualquer vento,

Inverte a rotação do planeta,

No piscar de um momento,

Uma asa de borboleta! - (Dário B.).


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