Por ora furto a força das palavras. Depois, quiçá, seqüestrar um coração. – (Dário B.).
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
MOVIMENTO.
Vendavales, Levanter, Scirocco, Leveche,
Libeccio, Tramontana, Bora, Marin,
Alísio, Brisa, Minuano, Noroeste,
Vardarac, Grecale, Meltemi, Khamsin,
Bóreas, Eureus, Notus e Zephyrus,
Ciclone, Furacão, Tornado, Tufão,
No estreito espaço do meu peito.
Mas muda o rumo de qualquer vento,
Inverte a rotação do planeta,
No piscar de um momento,
Uma asa de borboleta! - (Dário B.).
quarta-feira, 22 de julho de 2009
ECO.
terça-feira, 16 de junho de 2009
DESCALABRO
Ali vai a conclusão.
Ali, fechado e selado,
Ali, debaixo do chumbo lacrado e com cal na cara
Vai, o que pena como nós,
Vai o que sentiu como nós,
Vai o nós!
(Álvaro de Campos.).
Eu só tenho pressa que o dia passe. Há convenções sociais, cuidados pessoais, há a busca imediata do prazer, mas a fatalidade pingando lenta dos ponteiros do relógio mostra o nada que isso se tornou. Só há realmente a pressa que o dia finde, que finde a noite insone e não haja mais amanhecer. Nada mais de cortesias nem vãos sorrisos obrigatórios. Nada de rotinas e responsabilidades. Nem sentimentos obscuros ou desejos irrealizáveis. E nem o horror do novo por a viagem ser para o ultimo destino é impedimento. O único desejo que resta é esta ansiedade, essa quase angustia que faz o corpo pulsar a espera do fim. Eu só tenho pressa que o dia passe. Pressa que a vida passe. Se pelo menos não demorasse tanto... - (Dário B.).
segunda-feira, 15 de junho de 2009
FAVORITOS XIII
Pós postagem: Uma corajosa alma que se arrisca as vezes a passar por aqui me confirmou que a autoria é mesmo do Arnaldo Antunes, o que me faz admira-lo ainda mais. Quem passou por uma situação analoga a descrita no poema e filme sabe do que falo. Obrigado Fabiana, pelo interesse.
BICHO DE SETE CABEÇAS (?)
O buraco no espelho está fechado
agora eu tenho que ficar aqui
com um olho aberto, outro acordado
no lado de lá onde caí.
Pro lado de cá não tem acesso
mesmo que me chamem pelo nome
mesmo que admitam meu regresso
toda vez que eu vou a porta some.
A janela some na parede
a palavra de água se dissolve
na palavra sede a boca cede
antes de falar e não se ouve.
Já tentei dormir a noite inteira
quatro, cinco, seis da madrugada
vou ficar ali nessa cadeira
uma orelha alerta, outra ligada.
O buraco do espelho está fechado
agora eu tenho que ficar agora
fui pelo abandono abandonado
aqui dentro do lado de fora.
sexta-feira, 26 de dezembro de 2008
SONHO
Todos os sonhos querem ser sonhados. Uma noite um deles, desconhecido, me disse: “- Há muito tempo que espero. Sonhe-me, vale à pena.” Eu obedeci; e era a mais grandiosa de todas as sinfonias, aquela que ainda está para ser composta; e era todos os sabores perdidos da infância, e aqueles que ainda vão ser provados; e era todas as cores que pingaram da paleta dos mestres; e era tão lindo de olhar que eu só pude murmurar: “- Me ajude a ver.”; ...e você disse: “-Sim.” – (Dário B.).
domingo, 10 de agosto de 2008
DARIOGRAMA.
Me vive
Sou campo eterno
Sou campa
Sou berço
Me desordena
Me estorva
Sou matéria
Sou sangue
Sou libertino
Me come
Me bebe
Sou pão
Sou vinho
Sou saciedade
Acorda
Pulsa
Me ama! -(Dário B.).